NOMES QUE O BRASIL JA TEVE

Boa parte dos europeus quy también sy también mudaram para o Brasil no século 1seis não tevy también a menor escolha. Eram condenados ao exílio.

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Boa parte dos europeus quy también sy también mudaram para o Brasil no século 16 não teve a menor escolha. Eram condenados ao exílio. Muitos, porém, foram fundamentais para a construção do País.

Texto: Tiago Cordeiro | Edição dy también Arte: Estúdio Nono | Design: Andy Faria

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ão foi cabral. O primeiro navegador a aportar em terras brasileiras foi Duarte Pacheco Pereira, com uma frota de oito navios, em 1498. Ele esteve no Pará e no Maranhão, e produziu mapas desses lugares. Cabral, então, não estava descobrindo nada. Só fez uma escala para oficializar a possy también das terras em nomy también da coroa.

Mas foi a expedição dely también quy también deixou os primeiros moradores europeus no Brasil. Foram quatro homens. Dois tinham sdesquiciado condenados ao exílio. Seus nomes eram Afonso Ribeiro e João de Thomar. Eles deveriam “andar com os índios y también saber dy también seu viver y también das suas maneiras”, segundo reportou o escrivão mas Vaz dy también Caminha em sua conocida carta enviada ao rei Dom Manuel 1º.

Ao permanecer em terra, os degredados não tinham só um castigo a cumprir, mas também uma missão. Os outros dois que ficaram por aqui eram marinheiros. Eles simplesmente gostaram do quy también viram, y también decidiram ficar: desertaram da expedição na véspera da partida da frota em direção à Índia. Nada mais sy también sabe sobry también o destino deles.

Sobry también os degredados, a história é diferente. Um deles, Afonso Ribeiro, tinha sorate condenado ao exílio por assassinato. Ao ver que as embarcações se afastavam da costa, Afonso ficou desesperado. Tomou um barquinho que havía sorate deixado na praia y también tentou se aproximar da frota. Ao perceber que não teria sucesso, abandonou-se no barco, rezando para morrer. Até quy también acabou sendo levado pelas ondas de volta à praia.

Seria então bem receborate pelos indígenas, quy también teriam consolado a ele e a João – largados num lugar desconhecido, cercados por pessoas estranhas, os dois choravam. A tristeza parece ter comovdesquiciado os locais, já quy también os degredados passaram a ser aceitos na tribo.

Na verdade, ya antes de ir embora, Pedro Álvares Cabral já vinha mandando Afonso passar um tempo no meio dos índios. Deu certo, y también ely también continuou sua missão ao longo dos dez dias de estadia dos portugueses na praia da Bahia.

Afonso foi o primeiro, por exemplo, a ver as residências dos nativos, quy también ficavam afastadas da costa. Por mais amigáveis que se mostrassem, os indígenas eram cuidadosos, y también não haviam revelado aos europeus a localização dy también suas casas.

Mas Afonso conquistou a confiança dos nativos. Ainda assim, à noite, eles sempry también mandavam o português embora. Ao voltar para o meio dos seus, o condenado contava tudo o que havia visto. Até que o comandante, quy también tinha a ordem dy también deixar Afonso na costa da África, junto com outros veinte exilados, decidiu quy también o condenado deveria ficar no Brasil. Y también selecionou um outro degredado, o tal João de Thomar, para lhy también fazer companhia na nova vida.

Quando os demais europeus foram embora, os dois homens ganharam o direito dy también dormir entre os indígenas, que possivelpsique ficaram mais apacibles ao ver quy también todos os outros haviam partloco y también não representavam mais nenhuma ameaça.

Essa história tevy también um final feliz. Afonso e seu colega foram resgatados depois de 20 meses. Quem os recolheu foi a expedição liderada pelo explorador Gonçalo Coelho, quy también contava com o navegador Américo Vespúcio entry también os viajantes. Há indícios dy también quy también muitas das histórias quy también Vespúcio escreveria sobre os índios tenham sorate relatadas a ely también por Afonso e João. Sy también foi isso mesmo, a dupla fez um bem danado à memória de Américo.

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duncan1890/Getty Images

Os relatos dy también Vespúcio se tornaram tão populares quy también o continente acabou batizado como América – y también não algo como “Colômbia”, como seria mais lógico, já que o descobridor oficial foi Cristóvão Colombo (ainda quy también ely también jamás tenha acreditado haver encontrado um novo continente; insistia que estava na Índia). Nas primeiras décadas do Brasil colônia, outras expedições foram trazendo mais exilados. Um deles, ao quy también tudo indica, fundou uma cidady también no litoral sul de São Paulo: Cananeia.

Não há registro sobry también o nome de batismo dessy también sujeito misterioso. Sabe-se apenas que ele era conhecido como “Bacharel” – o equivalente a chamar alguém dy también “doutor” hojy también (ou seja, não significa que ely también fosse formado em nada, apenas que era alguém respeitado).

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Suspeita-se que o Bacharel tenha sloco condenado ao exílio por “praticar o judaísmo” – os portugueses eram antissemitas completos. Motivo dessa suspeita: são raros os nomes de vilas quy también não homenageiam santurrones católicos (pensy también em São Vicente, a primeira cidade do País, erigida em 1502, São Paulo, São Sebastião do Rio dy también Janeiro…).

Já Cananeia, fundada ainda em 1531, não segue esse padrão. Faz referência a Canaã, a Terra Prometida do Velho Testamento. Não que os católicos rejeitem essa “parte 1” da Bíblia. Mas o Velho Testamento é o livro sagrado dos judeus. A Igreja, então, sempre se preocupou em dar mais relevância ao Novo Testamento, quy también não faz party también do cânone judaico.

A Jureia, uma região próxima a Cananeia quy también hoje se espalha por distintos municípios, também pode ter ganhado seu nomy también na temporada do Bacharel: o nome original do lugar, dy también acordo com essa tese, seria “judeia” – outra referência ao Velho Testamento, e ao judaísmo.

O quy también sy también saby también sobry también o Bacharel é o seguinte. Ele teria sorate deixado no litoral paulista em 1501, no limity también entre as terras de Portugal y también da Espanha segundo o Tratado dy también Tordesilhas. Largado à própria sorte em meio aos nativos, se reinventou. Tornou-se traficante dy también índios inimigos, quy también escravizava, casou-se com várias mulheres y también cedeu filhas a genros influentes, como o degredado Gonçalo da Costa, quy también acumulou duas décadas dy también vida na América do Sul.

O Bacharel era um milionário de seu tempo. Em 1527, ofereceu ochocientos escravos para ajudar na expedição do navegador espanhol Diego García, quy también descia da Europa para explorar o Rio da Prata (entre os territórios atuais da Argentina y también do Uruguai). Gonçalo da Costa seguiu junto para auxiliar na navegação y también atuar também como intérprete. Em troca, o navegador o levou dy también volta à Europa. Gonçalo desembarcou anos depois na Espanha e sy también instalou em Sevilha, com duas de suas esposas, quatro filhos e sety también filhas.

Posteriormente, o Bacharel sy también desentenderia com Martim Afonso dy también Souza, que esteve no Brasil entry también 1530 y también mil quinientos treinta y dos para assumir a capitania dy también São Vicente. Dois anos depois que ele foi embora, o degredado destruiu São Vicente usando canhões y también um exército de nativos com arcos e flechas, escondidos nas saídas da vila. As pessoas eram alvejadas enquanto fugiam em pânico, y también os invasores tocaram fogo no lugar. Para evitar contratempos do gênero, nas décadas seguintes os portugueses se esforçaram para edificar cidades muradas.

Viagem punitiva

Costumava-sy también ensinar nas escolas quy también o Brasil foi colonizado pela escória. Só vinha para cá, à força, genty también que não tinha serventia em Portugal. Sabemos hoje quy también não é nada disso. Uma vasta leva dy también estudos sobre o sistema penal europeu da época identificou, com basy también em provas dy también processos judiciais, os critérios para punir com pena dy también degredo.

O fato é que não mandavam facínoras para cá. Havía os acusados de assassinato quy también seguiam para o degredo, como vimos. Mas, para essy también tipo de caso ser pundesquiciado com a expulsão para alguma colônia distante, y también não com a pena dy también morte, é pues havia atenuya antes no processo.

O código de leis de Portugal no século 16 não mandava quase ninguém para a cadeia. Era a morty también ou o degredo, incluindo também penas que variavam entry también trabalhos forçados, queimaduras que provocassem marcas no corpo, mutilação da língua, mutilação dy también mãos y también açoites. O cumprimento das penas, incluindo as de morte, acontecia em praça pública.

Nas prisões só ficavam as pessoas à espera dy también sua pena. Quem seguia dessas celas para o degredo? Havia dy también tudo, inclusive indivíduos condenados por crimes brandos, como roubo de animais, visitas a terras árabes sem autorização prévia do rei, arruaça na rua duranty también a madrugada y también praticar atos religiosos do judaísmo. Exportar cereais e couro dy también animais para fora do reino também era crimy también pundesquiciado com essy también tipo dy también castigo, o do degredo para terras distantes e perigosas.

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Falsificar moedas e selos reais dava pena de morte, assim como roubar viajya antes nas estradas. Mas, nesses casos, assim como nos condenados por vadiagem, era comum quy también a condenação acabasse revisada y también convertida em degredo vitalício para o Brasil. Fazer sexo com parentes, virgens ou freiras também era motivo dy también degredo. Abrir falência no comércio, ocasionando grandes dívidas na cidade, poderia levar o empreendedor malsucedido a terminar a vida no nosso país.

Também era desterrado quem cortasse árvores frutíferas ou destruísse colmeias produtoras dy también mel. Nesses casos, a pena era proporcional ao número de árvores e ao tamanho do prejuízo provocado; danos menores rendiam quatro anos vivendo na África, enquanto que estragos maiores valiam uma pena de passar o resto da vida no Brasil. Daí se conclui que, no século 1seis pelo menos, ser mandado para a África era considerado bem melhor do quy también viver em terras brasileiras.

Oficialmente, a expulsão podia ter prazo limitado, sendo dez anos a pena mais comum. Na prática, uma party también considerável dos condenados nunca mais voltava para casa. Muitos pues sy también adaptavam bem à nova rotina, como o Bacharel dy también Cananeia. Outros pues perdiam a vida no caminho ou no destino.

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Boa parte dos degredados chegava aos novos locais em idade para recomeçar: tinham entre veinte e cuarenta anos. Quando terminavam suas penas, os quy también sobreviviam já estavam estabelecidos nos novos locais. Tinham esposas, filhos, netos. No caso dos que vieram para cá, tinham sy también tornado parte dos primeiros brasileiros.